agosto 6, 2019

Como a escolha alimentar influencia na sustentabilidade?

O que a alimentação tem a ver com sustentabilidade? Bom, tem tudo a ver! Não só pela questão das embalagens, mas neste texto iremos falar sobre uma questão que geralmente não vemos e afeta gravemente a natureza.

Primeiro, é preciso entender de onde vem a comida que vai para o nosso prato todos os dias. O que está sendo vendido nos supermercados? Qual a procedência? Essa comida é de fato saudável?

Quando vamos às compras do mês, vemos muitas frutas, legumes e verduras a preços acessíveis (às vezes nem tanto… Alô tomate! Alô batata inglesa!) e, em alguns supermercados, existe a seção dos orgânicos que, na maioria das vezes, apresentam um preço mais elevado e, assim, muitos consumidores acabam por deixá-los de lado.

Essa diferença de preço se dá por dois motivos: o primeiro é que os alimentos “convencionais” são oriundos de lavouras que utilizam pesticidas (agrotóxicos) em suas culturas para evitar que espécies de insetos e roedores ataquem as plantações ou que as plantas fiquem doentes, e fazem uso de maquinário para a colheita. Assim, estes produtores têm menos perdas, conseguem produzir em grandes escalas, o que torna o produto mais “barato”.

O problema é que esses pesticidas utilizados são venenos fortíssimos, com metais pesados em sua composição – muitos dos que são permitidos no Brasil são proibidos na maioria dos outros países –, o que pode prejudicar a saúde de quem faz o consumo de alimentos contaminados, além de contaminar solo, ar, rios e lagos e causar o desequilíbrio ambiental, afetando a fauna e a flora da região, pois essas lavouras também causam um nível elevado de desmatamento. Ademais, pessoas que trabalham nas lavouras, em especial os que preparam as misturas e diluições dos venenos utilizados, acabam por apresentar chances altíssimas de desenvolver algum tipo de câncer devido à exposição aos compostos extremamente tóxicos.

Já o segundo motivo da diferença de preço é que um alimento orgânico certificado apresenta muitas questões como a produção ser menor que a demanda por eles; exigem mais trabalho por unidade de produção e maiores cuidados no manuseio pós colheita e transporte; toda a cadeia de produção deve ser livre de contaminantes químicos e poluentes. Isso tudo para garantir um alimento de qualidade, livre de compostos tóxicos e que não poluem o meio ambiente durante seu processo de produção.

Apesar da diferença de preço, os alimentos produzidos com pesticidas no fim das contas, acabam por ser aquele barato que sai caro. Ao fazer o consumo desses alimentos, favorecemos o desenvolvimento de alergias, sensibilidades e intolerâncias alimentares, além de aumentar os riscos de desenvolvimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (como diabetes, doenças do coração, obesidade e câncer), de doenças do sistema nervoso, hepatotoxicidade e até mesmo infertilidade. Além disso, o veneno retido no alimento age como um fator anti nutricional, que acaba por ligar-se a nutrientes presentes nos alimentos, impedindo sua absorção.

Então, para exemplificar, pense na seguinte situação: temos uma cesta de maçãs na cozinha e apareceu uma barata, que resolveu passear sobre as maçãs. Então alguém que está com você resolve jogar um inseticida na barata, bem em cima das maçãs. Depois que a barata morreu, a pessoa pega uma maçã, higieniza e lhe oferece. Você comeria essa maçã? Você acha que o veneno jogado sobre ela saiu todo após lavá-la? Com certeza não. Agora imagine compostos bem mais concentrados e tóxicos sendo jogados diretamente nos vegetais ao longo de todo o processo, desde a plantação à colheita…

Já os alimentos orgânicos, em especial os produzidos por meio de agricultura familiar e agroecológica, além de serem livres desses contaminantes, todo o seu processo de produção visa preservar o meio ambiente a sua volta, com o mínimo de resíduos possível. E mais, estes produtos são ricos em fitoquímicos, que são substâncias que a própria planta produz para tentar se defender sozinha dos insetos que a atacam. Estes compostos são extremante benéficos para a saúde e são fatores de proteção para doenças crônicas.

Mas sempre os alimentos orgânicos vão ser caros assim? Nem sempre. Existem hoje em dia vários agricultores locais, pequenos produtores adeptos a agricultura familiar que produzem alimentos orgânicos e vendem seus produtos sob encomenda, geralmente conhecidos como “Caixa de Orgânicos”. O custo beneficio desses produtos é muito bom e você cuida da sua saúde e ajuda a preservar o meio ambiente. Existem também as feiras orgânicas e agroecológicas, onde esses produtores se reúnem para vender seus produtos direto para o consumidor. Também existem mercados que trabalham apenas com a venda de produtos orgânicos, onde o consumidor pode encontrar uma grande variedade de produtos frescos e de ótima qualidade para a saúde.

Se houver uma maior procura por orgânicos, maior será a necessidade de produção. Havendo essa maior necessidade, é um estimulo para que mais produtores escolham manter suas lavouras livres de agrotóxicos. Além disso, mais produção orgânica e agroecológica significa uma maior preservação da biodiversidade e do meio ambiente, menor geração de resíduos e maior reaproveitamento de destes, maior geração de empregos nas áreas rurais e crescimento econômico nessas regiões. Sem falar que a agroecologia apresenta custo de produção menor que a cultura convencional, assim, com o incentivo, maior produção de orgânicos, maior oferta, menores os preços.

Portanto, vale a pena economizar alguns centavos e colocar sua saúde e a do planeta em risco?

 

 

Fontes:

http://www.scielo.br/pdf/csc/v12n1/08.pdf

http://www.scielo.br/pdf/rceres/v61s0/08.pdf

http://www.scielo.br/pdf/hoehnea/v45n1/2236-8906-hoehnea-45-01-0040.pdf

http://www.scielo.br/pdf/osoc/v23n77/1413-585X-osoc-23-77-0329.pdf

http://www.scielo.br/pdf/aib/v85/1808-1657-aib-85-e0622016.pdf

http://portal.anvisa.gov.br/documents/111215/0/Relat%C3%B3rio+PARA+2013-2015_VERS%C3%83O-FINAL.pdf/494cd7c5-5408-4e6a-b0e5-5098cbf759f8